10-2-2004

 

GUSTAV MAHLER

Lieder

 

KINDERTOTENLIEDER

Texts by Friedrich Rückert (1788-1866)
Music by Gustav Mahler, 1902

1. Nun will die Sonn' so hell aufgehn

 
 Nun will die Sonn' so hell aufgehn,
 Als sei kein Unglück die Nacht geschehn!
 Das Unglück geschah nur mir allein!
 Die Sonne, sie scheinet allgemein!
 Du mußt nicht die Nacht in dir verschränken,
 Mußt sie ins ew'ge Licht versenken!
 Ein Lämplein verlosch in meinem Zelt!
 Heil sei dem Freudenlicht der Welt!
 
 

 

 

 
 

O sol romperá brilhando

 

 

O sol romperá brilhando, como se não tivesse

acontecido qualquer desgraça esta noite.

A desgraça aconteceu-me só a mim,

O sol, esse, brilha para todos!

 

Não deves encerrar a noite dentro de ti,

Deves mergulhá-la na luz eterna.

Uma lâmpada apagou-se na minha casa,

Viva a luz da alegria do mundo!

 

 

2. Nun seh' ich wohl, warum so dunkle Flammen

 
 Nun seh' ich wohl, warum so dunkle Flammen
 Ihr sprühtet mir in manchem Augenblicke.
 O Augen!
 Gleichsam, um voll in einem Blicke
 Zu drängen eure ganze Macht zusammen.
 Doch ahnt' ich nicht, weil Nebel mich umschwammen,
 Gewoben vom verblendenden Geschicke,
 Daß sich der Strahl bereits zur Heimkehr schicke,
 Dorthin, von wannen alle Strahlen stammen.
 Ihr wolltet mir mit eurem Leuchten sagen:
 Wir möchten nah dir bleiben gerne!
 Doch ist uns das vom Schicksal abgeschlagen.
 Sieh' uns nur an, denn bald sind wir dir ferne!
 Was dir nur Augen sind in diesen Tagen:
 In künft'gen Nächten sind es dir nur Sterne.
 
 

Agora percebo, porque tão escuras chamas

 

 

Agora percebo, porque tão escuras chamas

me lançavas em muitos momentos;

Ó olhos!

Como que para, num único olhar,

reunirem toda a vossa força.

Porém não pressenti, pois o nevoeiro

tecido pelo cego destino envolvia-me,

Que o raio de luz já preparava o seu regresso,

ao lugar donde provêm todos os raios de luz.

 

Queriam dizer-me, com o vosso brilho:

queremos ficar junto de ti,

mas o destino não no-lo permite.

Olha bem para nós, pois em breve estaremos

longe de ti!

O que são então para ti os olhos agora:

nas noites que hão-de vir, para ti serão apenas estrelas.

 
 

3. Wenn dein Mütterlein tritt zur Tür herein

 
 
 
 Wenn dein Mütterlein tritt zur Tür herein,
 Und den Kopf ich drehe, ihr entgegen sehe,
 Fällt auf ihr Gesicht erst der Blick mir nicht,
 Sondern auf die Stelle, näher nach der Schwelle,
 Dort, wo würde dein lieb Gesichten sein,
 Wenn du freudenhelle trätest mit herein,
 Wie sonst, mein Töchterlein.
 
 
 
 Wenn dein Mütterlein tritt zur Tür herein,
 Mit der Kerze Schimmer, ist es mir, als immer
 Kämst due mit herein, huschtest hinterdrein,
 Als wie sonst ins Zimmer!
 O du, des Vaters Zelle,
 Ach, zu schnell erloschner Freudenschein!
 

 

 

Quando a tua querida mãe entra pela porta

 

 

Quando a tua querida mãe

entra pela porta

viro a cabeça

e olho para ela.

Porém não é na sua cara

que reparo primeiro,

mas naquele lugar

mais próximo do chão

onde estaria

o teu pequeno rosto

quando tu, com luminosa alegria,

entrasses com ela

como outrora, minha filhinha.

 

Quando a tua querida mãe

entra pela porta

com a vela a brilhar

é como se tu, como sempre,

entrasses com ela na sala

deslizando atrás dela

como outrora.

 

Ó tu, fruto do teu pai!

Ah, tão rápido

extinto brilho de alegria!

 

 

 

4. Oft denk' ich, sie sind nur ausgegangen

 
 Oft denk' ich, sie sind nur ausgegangen!
 Bald werden sie wieder nach Hause gelangen!
 Der Tag ist schön! O sei nicht bang!
 Sie machen nur einen weiten Gang!
 
 Jawohl, sie sind nur ausgegangen
 Und werden jetzt nach Hause gelangen!
 O, sei nicht bang, der Tag is schön!
 Sie machen nur den Gang zu jenen Höh'n!
 
 Sie sind uns nur vorausgegangen
 Und werden nicht wieder nach Hause gelangen!
 Wir holen sie ein auf jenen Höh'n
 Im Sonnenschein!
 Der Tag is schön auf jenen Höh'n!
 
 

Frequentemente penso que saíram apenas

 

 

Frequentemente penso que saíram apenas!

E que em breve regressarão a casa!

O dia está bonito! Não tenhas medo!

Fazem apenas um passeio mais longo.

 

Pois, saíram apenas

E regressam já a casa.

Não tenhas medo, o dia está bonito!

Fazem apenas um passeio até às colinas!

 

Saíram apenas à nossa frente,

E não quererão regressar a casa!

Alcançá-las-emos nas colinas à luz do sol!

O dia está bonito nas colinas!

 

 

5. In diesem Wetter, in diesem Braus

 
 
 In diesem Wetter, in diesem Braus,
 Nie hätt' ich gesendet die Kinder hinaus;
 Man hat sie getragen hinaus,
 Ich durfte nichts dazu sagen!
 
 In diesem Wetter, in diesem Saus,
 Nie hätt' ich gelassen die Kinder hinaus,
 Ich fürchtete sie erkranken;
 Das sind nun eitle Gedanken.
 
 In diesem Wetter, in diesem Graus,
 Nie hätt' ich gelassen die Kinder hinaus;
 Ich sorgte, sie stürben morgen,
 Das ist nun nicht zu besorgen.
 
 In diesem Wetter, in diesem Saus, in diesem Braus,
 Sie ruh'n als wie in der Mutter Haus,
 Von keinem Sturm erschrecket,
 Von Gottes Hand bedecket.
 

 

 

Com este tempo, com esta tempestade

 

 

Com este tempo, com esta tempestade,

Nunca teria mandado sair as crianças.

Mas levaram-nas embora,

E eu nada pude fazer.

 

Com este tempo, com esta tempestade,

Nunca teria deixado sair as crianças;

Teria medo que adoecessem.

Mas isso agora são apenas pensamentos vãos.

 

Se com este tempo, com esta trovoada

Tivesse deixado sair as crianças,

Teria medo que morressem amanhã,

Mas isso já não é motivo de preocupações.

 

Com este tempo, com esta trovoada,

Nunca teria mandado sair as crianças;

Mas levaram-nas embora,

E eu nada pude fazer.

 

Com este tempo, com este vendaval, com esta

tempestade, Repousam como em casa da sua mãe;

Nenhuma tormenta as pode assustar,

Protegidas pela mão de Deus.

Repousam como em casa da sua mãe.

Tradução de Adriana Latino. (Do programa da Fundação Calouste Gulbenkian no concerto de 2 e 3 de Novembro de 2006. Cantou o barítono Matthias Goerne. Orquestra dirigida por Lawrence Foster).

LIEDER EINES FAHRENDEN GESELLEN

Text by Gustav Mahler 
Music by Gustav Mahler
 

1. Wenn mein Schatz Hochzeit macht

Wenn mein Schatz Hochzeit macht,
 Fröhliche Hochzeit macht,
 Hab' ich meinen traurigen Tag!
 Geh' ich in mein Kämmerlein,
 Dunkles Kämmerlein,
 Weine, wein' um meinen Schatz,
 Um meinen lieben Schatz!
 Blümlein blau! Verdorre nicht!
 Vöglein süß! Du singst auf grüner Heide.
 Ach, wie ist die Welt so schön!
 Ziküth! Ziküth!
 Singet nicht! Blühet nicht!
 Lenz ist ja vorbei!
 Alles Singen ist nun aus.
 Des Abends, wenn ich schlafen geh',
 Denk' ich an mein Leide.
 An mein Leide!

 

 

 

 
 

Quando o meu tesouro se vai casar

E tem alegres bodas,

O dia para mim é triste!

Vou para o meu quartinho,

Quarto pequeno e escuro!

Choro! Choro pela minha amada,

Pelo meu tesouro de amor!

Florinha azul! Não seques!

Doce passarinho, tu cantas num verde prado!

Oh! como o mundo é belo!

Choro! Choro!

Não cantem! Não floresçam!

A primavera já passou!

Já não é tempo de cantar!

À noite quando vou dormir,

Penso na minha dor!

No meu desgosto!

 

 

 

2. Ging heut morgen übers Feld

 
 Ging heut morgen übers Feld,
 Tau noch auf den Gräsern hing;
 Sprach zu mir der lust'ge Fink:
 "Ei du! Gelt? Guten Morgen! Ei gelt?
 Du! Wird's nicht eine schöne Welt?
 Zink! Zink! Schön und flink!
 Wie mir doch die Welt gefällt!"
 
 Auch die Glockenblum' am Feld
 Hat mir lustig, guter Ding',
 Mit den Glöckchen, klinge, kling,
 Ihren Morgengruß geschellt:
 "Wird's nicht eine schöne Welt?
 Kling, kling! Schönes Ding!
 Wie mir doch die Welt gefällt! Heia!"
 
 Und da fing im Sonnenschein 
 Gleich die Welt zu funkeln an;
 Alles Ton und Farbe gewann
 Im Sonnenschein!
 Blum' und Vogel, groß und klein!
 "Guten Tag, ist's nicht eine schöne Welt?
 Ei du, gelt? Schöne Welt?"
 
 Nun fängt auch mein Glück wohl an?
 Nein, nein, das ich mein',
 Mir nimmer blühen kann!
 

Fui esta manhã ao campo

  

Fui esta manhã ao campo,

Ainda havia orvalho na erva.

Disse-me o tentilhão:

«Olá! Como estás? Bela manhã! Não é verdade?

O mundo não está a tornar-se belo?

Chip! Chip! Belo e vivo!

Como me agrada o mundo!»

 

Também as flores-campaínhas do campo

Estiveram a anunciar coisas alegres

com o seu pequeno sino, ding, ding.

Ao darem os bons-dias:

«O mundo não está a tornar-se belo?

Ding, ding! Coisa linda!

Como o mundo me agrada! Eia!»

 

E ali, sob os raios do sol,

Começou o mundo a brilhar.

Tudo ganhou sons e cor

Sob o brilho do sol!

Flores e aves, grandes e pequenas!

«Bom-dia! O mundo não é belo?

E tu, que dizes? O mundo é belo!»

 

Agora talvez comece também a minha felicidade!

Não! Não! Aquilo em que penso

Nunca poderá florescer para mim!

 

3. Ich hab' ein glühend Messer

 
 Ich hab' ein glühend Messer,
 Ein Messer in meiner Brust,
 O weh! Das schneid't so tief
 In jede Freud' und jede Lust.
 Ach, was ist das für ein böser Gast!
 Nimmer hält er Ruh', nimmer hält er Rast,
 Nicht bei Tag, noch bei Nacht, wenn ich schlief.
 O Weh!
 
 Wenn ich in dem Himmel seh',
 Seh' ich zwei blaue Augen stehn.
 O Weh! Wenn ich im gelben Felde geh',
 Seh' ich von fern das blonde Haar
 Im Winde wehn.
 O Weh!
 
 Wenn ich aus dem Traum auffahr'
 Und höre klingen uhr silbern' Lachen,
 O Weh!
 Ich wollt', ich läg auf der schwarzen Bahr',
 Könnt' nimmer die Augen aufmachen!
 
 
 
 

Tenho uma faca em brasa,

Uma faca no meu peito.

Ai de mim! Ela enterra-se tão profundamente

Em toda a alegria, em todo o prazer,

Oh! Como é um hóspede cruel!

Nunca sossega, nunca pára!

Nem de dia nem de noite, quando eu durmo!

Ai de mim!

 

Quando olho para o céu,

Vejo dois olhos azuis!

Ai de mim! Quando atravesso o campo dourado,

Vejo, ao longe, o cabelo loiro

A esvoaçar ao vento!

Ai de mim!

 

Quando acordo do sonho

E oiço o tinir do seu riso prateado,

Ai de mim!

Desejo estar estendido no caixão negro,

E nunca mais abrir os olhos!

 
 

4. Die zwei blauen Augen von meinem Schatz

 
 Die zwei blauen Augen von meinem Schatz,
 Die haben mich in die weite Welt geschickt.
 Da mußt ich Abschied nehmen
 Vom allerliebsten Platz!
 O Augen blau, warum habt ihr mich angeblickt?
 Nun hab' ich ewig Leid und Grämen.
 
 Ich bin ausgegangen in stiller Nacht
 Wohl über die dunkle Heide.
 Hat mir niemand Ade gesagt.
 Ade! Mein Gesell' war Lieb' und Leide!
 Auf der Straße steht ein Lindenbaum,
 Da hab' ich zum ersten Mal im Schlaf geruht!
 
 Unter dem Lindenbaum, der hat
 Seine Blüten über mich geschneit,
 Da wußt' ich nicht, wie das Leben tut,
 War alles, alles wieder gut!
 Alles! Alles, Lieb und Leid
 Und Welt und Traum!
 

 

 

Os dois olhos azuis do meu tesouro

Mandaram-me pelo mundo fora.

Tenho de me despedir

Destes lugares queridos!

Ó olhos azuis! Porque olhastes para mim?

Assim eternamente, não terei senão dor e sofrimento!

 

Parti para a noite serena,

Atravessei o prado adormecido.

Ninguém me disse adeus.

Adeus! Os meus companheiros eram o amor e a dor.

À beira do caminho estava uma tília,

Debaixo dela descansei pela primeira vez, adormeci.

 

Debaixo da tília, que me cobriu

Com o manto dos seus botões em flor.

Ali esqueci o tormento da vida.

Tudo, tudo ficou novamente claro.

Tudo, o amor e o sofrimento,

O mundo e o sonho.

 

 

(Tradução de Nuno Barreiros. Do programa do Recital na Fundação Calouste Gulbenkian em 10-2-2004)

 

FÜNF LIEDER NACH RÜCKERT

Texts by Friedrich Rückert (1788-1866)
Music by Gustav Mahler, 1901-2, published 1905

1. Blicke mir nicht in die Lieder

 
 Blicke mir nicht in die Lieder!
 Meine Augen schlag' ich nieder,
 Wie ertappt auf böser Tat.
 Selber darf ich nicht getrauen,
 Ihrem Wachsen zuzuschauen.
 Deine Neugier ist Verrat!
 
 Bienen, wenn sie Zellen bauen,
 Lassen auch nicht zu sich schauen,
 Schauen selbst auch nicht zu.
 Wenn die reichen Honigwaben
 Sie zu Tag gefördert haben,
 Dann vor allen nasche du!
 

 

 

 

 

Não me olhes nas minhas canções

 

Não me olhes nas minhas canções!

Eu baixo os olhos,

Como surpreendido numa má acção.

Eu próprio não ouso sequer

Vê-las nascer.

Não me olhes nas minhas canções!

A tua curiosidade é uma traição!

 

As abelhas que constroem os seus alvéolos,
Não se deixam olhar,
Nem se olham elas mesmas.
Assim que os ricos favos de mel
Vierem á luz do dia,
Serás a primeira a saboreá-los!

 

2. Ich atmet' einen linden Duft!

 
 Ich atmet' einen linden Duft!
 Im Zimmer stand
 Ein Zweig der Linde,
 Ein Angebinde
 Von lieber Hand.
 Wie lieblich war der Lindenduft!
 
 Wie lieblich ist der Lindenduft!
 Das Lindenreis
 Brachst du gelinde!
 Ich atme leis
 Im Duft der Linde
 Der Liebe linden Duft.
 
 

 

Aspirava um doce aroma!

 

Aspirava um doce aroma!
Na sala havia
Um ramo de tília,
Uma oferta
De uma mão querida.
Que delicioso era o aroma da tília!

 
Que delicioso é o aroma da tília!
A haste da tília
Que gentilmente trouxeste!
Aspiro suavemente
A tília fragrante
O doce aroma do amor.

  

 

3. Um Mitternacht

 
 Um Mitternacht
 Hab' ich gewacht
 Und aufgeblickt zum Himmel;
 Kein Stern vom Sterngewimmel
 Hat mir gelacht
 Um Mitternacht.
 
 Um Mitternacht
 Hab' ich gedacht
 Hinaus in dunkle Schranken.
 Es hat kein Lichtgedanken
 Mir Trost gebracht
 Um Mitternacht.
 
 Um Mitternacht
 Nahm ich in acht
 Die Schläge meines Herzens;
 Ein einz'ger Puls des Schmerzes
 War angefacht
 Um Mitternacht.
 
 Um Mitternacht
 Kämpft' ich die Schlacht,
 O Menschheit, deiner Leiden;
 Nicht konnt' ich sie entscheiden
 Mit meiner Macht
 Um Mitternacht.
 
 Um Mitternacht
 Hab' ich die Macht
 In deine Hand gegeben!
 Herr! über Tod und Leben
 Du hälst die Wacht
 Um Mitternacht!
 

À meia-noite

 

À meia-noite
Montei vigia
E voltei o meu olhar para o céu;
Nenhuma estrela no firmamento
Me sorriu
À meia-noite
 

À meia-noite
Forcei os meus pensamentos
Aos limites mais sombrios.
À meia-noite
Nenhuma imagem cintilante
Me trouxe conforto
À meia-noite.


À meia-noite
Escutei
Os batimentos do meu coração;
Uma só pulsação dolorosa
Palpitou
À meia-noite

 

À meia-noite
Travei a batalha,
Ó humanidade, dos teus desgostos;
Não pude resolvê-la
Por mim próprio

À meia-noite.

 

À meia-noite

Coloquei as minhas forças

Nas tuas mãos!

Senhor da morte e da vida

Tu estás de vigia

À meia-noite

 

4. Liebst du um Schönheit

 
Liebst du um Schöheit,
O nicht mich liebe! 
Liebe die Sonne,
Sie trägt ein gold'nes Haar!
 
Liebst du um Jugend,
O nicht mich liebe!
Liebe der Frühling,
Der jung ist jedes Jahr! 
 
Liebst du um Schätze,
O nicht mich liebe. 
Liebe die Meerfrau,
Sie hat viel Perlen klar.
 
Liebst du um Liebe,
O ja, mich liebe!
Liebe mich immer, 
Dich lieb' ich immerdar.
 
 

Se me amas pela beleza

 

 

Se me amas pela beleza, não me ames!

Ama o sol, que exibe a sua cabeleira loura!

 

 


Se me amas pela juventude, não me ames!

Ama a Primavera, que é jovem todos os anos

 

 


Se me amas pela fortuna, não me ames!

Ama antes a sereia, no seu colo brilham as pérolas!

 

 


Se me amas por ser amado, então ama-me!

Ama-se sempre, o nosso amor é eterno!

 

 

 

5. Ich bin der Welt abhanden gekommen

 
 Ich bin der Welt abhanden gekommen,
 Mit der ich sonst viele Zeit verdorben,
 Sie hat so lange nichts von mir vernommen,
 Sie mag wohl glauben, ich sei gestorben!
 
 Es ist mir auch gar nichts daran gelegen,
 Ob sie mich für gestorben hält,
 Ich kann auch gar nichts sagen dagegen,
 Denn wirklich bin ich gestorben der Welt.
 
 Ich bin gestorben dem Weltgetümmel,
 Und ruh' in einem stillen Gebiet!
 Ich leb' allein in meinem Himmel,
 In meinem Lieben, in meinem Lied!
 
 
 
 

Estou perdido para o mundo

 

 


Estou perdido para o mundo,
Onde outrora consumi os meus dias,
Há tanto que não tem noticias minhas,
Bem pode acreditar que morri!

 

Também já não faz diferença,
Que me considere morto.
No posso sequer dizer o contrário,
Pois, na verdade, morri para o mundo.


Morri para o bulício do mundo
E descanso numa região serena
Vivo sozinho no céu,
No meu amor, na minha canção.

 

 

(Tradução de Mariana Portas. Do programa do memorável recital de 10-3-2008, na Fundação Calouste Gulbenkian, da meio-soprano Magdalena Kožená.)

 

Lieder nach Gedichten

aus Des Knaben Wunderhorn

 
Des Antonius von Padua Fischpredigt
 
 Antonius zur Predigt
 Die Kirche findt ledig.
 Er geht zu den Flüssen
 und predigt den Fischen;
 
 Sie schlagen mit den Schwänzen,
 Im Sonnenschein glänzen.
 
 Die Karpfen mit Rogen
 Sind [allhier gezogen]1,
 Haben d'Mäuler aufrissen,
 Sich Zuhörens beflissen;
 
 Kein Predigt niemalen
 Den Karpfen so g'fallen.
 
 Spitzgoschete Hechte,
 Die immerzu fechten,
 Sind eilend herschwommen,
 Zu hören den Frommen;
 
[ Kein Predigt niemalen
 Den Hechten so g'fallen.]2
 
 Auch jene Phantasten,
 Die immerzu fasten;
 Die Stockfisch ich meine,
 Zur Predigt erscheinen;
 
 Kein Predigt niemalen
 Den Stockfisch so g'fallen.
 
 Gut Aale und Hausen,
 Die vornehme schmausen,
 Die selbst sich bequemen,
 Die Predigt vernehmen:
 
 [Kein Predigt niemalen
 den Aalen so g'fallen.]2
 
 Auch Krebse, Schildkroten,
 Sonst langsame Boten,
 Steigen eilig vom Grund,
 Zu hören diesen Mund:
 
 Kein Predigt niemalen
 den Krebsen so g'fallen.
 
 Fisch große, Fisch kleine,
 Vornehm und gemeine,
 Erheben die Köpfe
 Wie verständge Geschöpfe:
 
 Auf Gottes Begehren
 Die Predigt anhören.
 
 Die Predigt geendet,
 Ein jeder sich wendet,
 Die Hechte bleiben Diebe,
 Die Aale viel lieben.
 
 Die Predigt hat g'fallen.
 Sie bleiben wie alle.
 
 Die Krebs gehn zurücke,
 Die Stockfisch bleiben dicke,
 Die Karpfen viel fressen,
 die Predigt vergessen.
 
 Die Predigt hat g'fallen.
 Sie bleiben wie alle.
 
1 another version: "all' hierher zogen"
2 not set by Mahler

 

Santo António de Pádua pregando aos peixes

 

 

Santo António vai pregar e encontra a igreja vazia.

Dirige-se então aos rios e prega aos peixes!

Eles batem com as caudas!

Como brilham ao sol.

 

As carpas com as suas ovas vieram todas para aqui;

Estão todas de boca aberta, ávidas por escutar.

Nunca nenhum sermão agradara tanto aos peixes!

 

Lúcios de nariz aguçado, sempre a batalhar,

Nadaram rapidamente para ouvir o Santo!

 

Até aquele fantasista, que está sempre a jejuar,

Refiro-me ao bacalhau, veio ao sermão!

Nunca nenhum sermão agradara tanto ao bacalhau!

 

As enguias e os esturjões, tão apreciados pelos nobres,

Eles próprios se dignaram escutar a prédica.

 

Mesmo os caranguejos e as tartarugas, emissários

     lentos,

Subiram depressa do fundo para ouvirem aquelas

     palavras!

Nunca nenhum sermão agradara tanto aos caranguejos!

 

Peixes grandes, peixes pequenos, raros ou vulgares,

Erguem as cabeças como seres pensantes!

Ansiosos por deus, escutam o sermão!

 

Acabada a prédica, cada qual se retira!

Os lúcios permanecem ladrões, as enguias a muito amar,

O sermão agradou, mas ficam todos como antes!

 

Os caranguejos vão embora, os bacalhaus continuam

     gordos,

As carpas devoram tudo, o sermão esquece!

O sermão agradou, mas ficam todos como antes!

 

Das irdische Leben
 
[ "Mutter, ach Mutter! es hungert mich,
Gib mir Brot, sonst sterbe ich."
  "Warte nur, mein liebes Kind,
  Morgen wollen wir säen [geschwind."]1
 
Und als [das Korn]3 gesäet war,
[Rief]4 das Kind noch immerdar: ]2
"Mutter, ach Mutter! es hungert mich,
Gib mir Brot, sonst sterbe ich."
  "Warte nur, mein liebes Kind,
  Morgen wollen wir [ernten]5 [geschwind."]1
 
Und als [das Korn]3 [geerntet]6 war,
[Rief]4 das Kind noch immerdar:
"Mutter, ach Mutter! es hungert mich,
Gib mir Brot, sonst sterbe ich."
  "Warte nur, mein liebes Kind,
  Morgen wollen wir dreschen [geschwind."]1
 
Und als [das Korn]3 gedroschen war,
[Rief]4 das Kind noch immerdar:
"Mutter, ach Mutter! es hungert mich,
Gib mir Brot, sonst sterbe ich."
  [ "Warte nur, mein liebes Kind,
  Morgen wollen wir mahlen [geschwind."]1
 
Und als [das Korn]3 gemahlen war,
[Rief]4 das Kind noch immerdar:
"Mutter, ach Mutter! es hungert mich,
Gib mir Brot, sonst sterbe ich."]
  "Warte nur, mein liebes Kind,
  Morgen wollen wir backen [geschwind."]1
 
Und als das Brot gebacken war,
Lag das Kind auf der Totenbahr.
 
1 not set by Schreker
2 not set by Mahler
3 Schreker: "es nun"
4 Schreker: "Sprach"
5 Schreker: "schneiden"
6 Schreker: "geschnitten"
 

A vida terrestre

 

«Mãe, ai mãe, tenho fome,

dá-me pão, senão morro!»

«Espera um pouco, meu querido filho,

amanhã vamos depressa ceifar!»

 

E quando o trigo estava ceifado,

a criança continuava a gritar:

«Mãe, ai mãe, tenho fome,

dá-me pão, senão morro!»

«Espera um pouco, meu querido filho,

amanhã vamos depressa malhar!»

 

E quando o trigo estava malhado,

a criança continuava a gritar:

«Mãe, ai mãe, tenho fome,

dá-me pão, senão morro!»

«Espera um pouco, meu querido filho,

amanhã vamos depressa cozer o pão!»

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E quando o pão estava cozido,

jazia a criança no seu caixão.

 

 

 

 

 

 

URLICHT
 
 O Röschen rot,
 Der Mensch liegt in größter Not,
 Der Mensch liegt in größter Pein,
 Je lieber möcht' ich im Himmel sein.
 Da kam ich auf einem breiten Weg,
 Da kam ein Engelein und wollt' mich abweisen.
 Ach nein, ich ließ mich nicht abweisen!
 Ich bin von Gott und will wieder zu Gott,
 Der liebe Gott wird mir ein Lichtchen geben,
 Wird leuchten mir bis in das ewig selig' Leben!
 
 
 

Luz original

 

 

Pequena rosa vermelha!

O homem jaz na maior miséria!

O homem jaz no maior sofrimento!

Como eu gostaria de estar no céu!

Eu vim por um largo caminho:

Chegou um anjo que me quis afastar.

Ah, não! Não deixei que me afastasse!

Eu venho de Deus e hei-de regressar a Deus!

O bom Deus dar-me-á uma pequena luz.

Iluminar-me-á até à bem-aventurada vida eterna

 

 

Phantasie

 

Das Mägdlein trat aus dem Fischerhaus,

Die Netze warf sie ins Meer hinaus!

Und wenn kein Fisch in das Netz ihr ging,

Die Fischerin doch die Herzen fing!

 

Die Winde streifen so kühl umher,

Erzählen leis‘ eine alte Mär!

Die See erglühet im Abendrot,

Die Fischerin fühlt nicht Liebesnot

Im Herzen! Im Herzen!

 

Fantasia

 

A menina saiu da cabana do pescador,

E lançou as redes ao mar!

E mesmo se nenhum peixe cair na rede,

A jovem pescadora apanhará corações!

 

O vento sopra frio em redor,

Contando-lhe baixinho uma velha lenda!

O mar brilha na obscuridade,

A jovem pescadora não sente falta do amor

No seu coração! No seu coração!

 

Rheinlegendchen

 

Bald gras‘ ich am Neckar, bald gras‘ ich am Rhein;

Bald hab‘ ich ein Schätzel, bald bin ich allein!

Was hilft mir das Grasen, wenn d‘ Sichel nicht

schneid‘t!

Was hilft mir ein Schätzel, wenn‘s bei mir nicht bleibt.

 

So soll ich denn grasen am Neckar, am Rhein,

So werf‘ ich mein goldenes Ringlein hinein.

Es fließet im Neckar und fließet im Rhein,

Soll schwimmen hinunter ins Meer tief hinein.

 

Und schwimmt es, das Ringlein, so frißt es ein Fisch!

Das Fischlein soll kommen auf‘s König sein Tisch!

Der König tät fragen, wem‘s Ringlein sollt‘ sein?

Da tät mein Schatz sagen: »das Ringlein g‘hört mein.«

 

Mein Schätzlein tät springen bergauf und bergab,

Tät mir wied‘rum bringen das Goldringlein fein!

»Kannst grasen am Neckar, kannst grasen am Rhein,

Wirf du mir nur immer dein Ringlein hinein!«

 

Pequena lenda do Reno

 

Ceifo às vezes junto do Neckar, outras junto do Reno;

Às vezes tenho uma namorada, outras estou sozinho!

De que me serve ceifar, se a foice não corta!

Para que me serve uma amiga, se ela não fica perto

      de mim?

 

Por isso, tenho de ceifar junto do Neckar e do Reno,

Por isso lanço neles o meu anel de oiro.

Rola no Neckar e rola no Reno,

E rolará bem até ao fundo do mar.

 

Rolará, o pequeno anel, até um peixe o engolir!

O peixe será servido na mesa do Rei!

O rei perguntará a quem é que ele pertence.

Então o meu amor dirá: «Esse anel é meu!»

 

O meu amor correrá pelos montes fora,

Para me entregar de novo o meu anel de oiro!

«Podes ceifar junto do Neckar ou junto do Reno,

Mas não deixes de lançar neles o teu anel!»

 

Verlor’ne Müh‘!

 

Sie:

Büble, wir wollen auße gehe!

Wollen wir? Unsere Lämmer besehe?

Gelt! Komm, lieb‘s Büberle, komm‘, ich bitt‘!

 

Er:

Närrisches Dinterle, ich geh dir holt nit!

 

Sie:

Willst vielleicht a bissel nasche?

Hol‘ dir was aus meiner Tasch!

Hol‘, lieb‘s Büberle, hol‘, ich bitt‘!

 

Er:

Närrisches Dinterle, ich nasch‘ dir halt nit!

 

Sie:

Gelt, ich soll mein Herz dir schenke?

Immer willst an mich gedenke?

Nimm‘s! Lieb‘s Büberle! Nimm‘s, ich bitt‘!

 

Er:

Närrisches Dinterle, ich mag es halt nit!

 

Esforço em vão

 

Ela:

Querido, vamos sair juntos!

Vamos ver os cordeirinhos?

Anda, meu amor, peço-te!

 

Ele:

Rapariga tola, não quero sair contigo!

 

Ela:

Talvez queiras uma guloseima?

Tira-ma aqui do bolso.

Tira, meu amor, peço-te

 

Ele:

Pobre tola, não quero as tuas guloseimas!

 

Ela:

Queres que te ofereça o coração?

Pensarás sempre em mim?

Toma-o, meu amor, peço-te!

 

Ele:

Pobre tola, não o quero, não!

 

Um schlimme Kinder artig zu machen

 

Es kam ein Herr zum Schlösseli

Auf einem schönen Röss‘li,

[Kuckuc, Kuckuc!]

Da lugt die Frau zum Fenster aus

Und sagt: »Der Mann ist nicht zu Haus,

und niemand heim als meine Kind‘,

und‘s Mädchen ist auf der Wäschewind!«

 

Der Herr auf seinem Rösseli

Sagt zu der Frau im Schlösseli:

[Kuckuc, Kuckuc!]

»Sind‘s gute Kind‘, sind‘s böse Kind‘?

Ach, liebe Frau, ach sagt geschwind.«

[Kuckuc, Kuckuc!]

 

»In meiner Tasch für folgsam Kind‘,

da hab‘ ich manche Angebind«,

[Kuckuc, Kuckuc!]

Die Frau die sagt: »Sehr böse Kind!

Sie folgen Muttern nicht geschwind,

sind böse, sind böse!«

Die Frau die sagt: »Sind böse Kind!

Sie folgen Mutter nicht geschwind!«

 

Da sagt der Herr: »So reit‘ ich heim,

dergleichen Kinder brauch ich kein‘!«

[Kuckuc, Kuckuc!]

Und reit‘ auf seinem Rösseli

Weit entweg vom Schlösseli!

[Kuckuc, Kuckuc!]

 

Para fazer boas as crianças malvadas

 

Veio um senhor até ao castelo

Montado num belo cavalinho,

[Cu-cu, cu-cu!]

Então a senhora espreitou pela janela

E disse: «O meu marido não está em casa,

nem ninguém além dos meus filhos,

e da rapariga que está a tratar da roupa!»

 

O senhor montado no cavalinho

Disse à senhora no castelo:

[Cu-cu, cu-cu!]

«As crianças são boas ou são malvadas?

Minha querida senhora, diga-me depressa.»

[Cu-cu, cu-cu!]

 

«Tenho muitas prendas no meu bolso,

para as crianças obedientes»,

[Cu-cu, cu-cu!]

A senhora disse: «Crianças muito malvadas!

Não obedecem à mãe com prontidão,

são malvadas, são malvadas!»

A senhora disse: «São crianças malvadas!

Não obedecem à mãe com prontidão!»

 

O senhor disse então: «Vou para casa,

não quero nada com crianças assim!»

[Cu-cu, cu-cu!]

E afastou-se no seu cavalinho

Para bem longe do castelo!

[Cu-cu, cu-cu!]

 

Ablösung im Sommer

 

Kukuk hat sich zu Tode gefallen,

An einer grünen Weiden!

Kukuk ist todt! hat sich zu Tod‘ gefallen!

Wer soll uns jetzt den Sommer lang

Die Zeit und Weil‘ vertreiben?

 

Ei, das soll tun Frau Nachtigall,

Die sitzt auf grünem Zweige;

Die kleine, feine Nachtigall!

Die liebe, süße Nachtigall!

Sie singt und springt, ist all‘ zeit froh,

wenn andre Vögel schweigen.

 

Wir warten auf Frau Nachtigall;

Die wohnt im grünen Hage,

Und wenn der Kukuk zu Ende ist,

Dann fängt sie an zu schlagen!

 

Render da guarda no Verão

 

O cuco morreu de uma queda

Num salgueiro oco!

O cuco está morto! Morreu de uma queda!

Quem nos vai fazer passar

Durante o Verão o tempo?

 

Ah, isso terá de o fazer o rouxinol,

Que poisa no ramo verde;

O pequeno, delicado rouxinol!

O querido, doce rouxinol!

Ele canta e pula, está sempre alegre,

Quando os outros pássaros se calam.

 

Esperamos pelo Rouxinol,

Que vive no arbusto verdejante,

E quando o canto do cuco termina,

Lá começa ele a cantar!

 

Wo die schönen Trompeten blasen

 

Wer ist denn draußen und wer klopfet an,

Der mich so leise, so leise wecken kann?

Das ist der Herzallerliebste dein,

Steh auf und laß mich zu dir ein!

 

Was soll ich hier nun länger steh‘n?

Ich seh die Morgenröt aufgeh‘n,

Die Morgenröt, zwei helle Stern‘.

Bei meinem Schatz, da wär‘ ich gern!

Bei meiner Herzallerliebsten.

 

Das Mädchen stand auf und ließ ihn ein;

Sie heißt ihn auch willkommen sein.

Willkommen, lieber Knabe mein,

So lang hast du gestanden!

 

Sie reicht ihm auch die schneeweiße Hand.

Von ferne sang die Nachtigall;

Das Mädchen fing zu weinen an.

 

Ach weine nicht, du Liebste mein,

Aufs Jahr sollst du mein eigen sein.

Mein Eigen sollst du werden gewiß,

Wie‘s keine sonst auf Erden ist.

O Lieb auf grüner Erden.

 

Ich zieh in Krieg auf grüner Heid‘,

Die grüne Heide, die ist so weit.

Allwo dort die schönen Trompeten blasen,

Da ist mein Haus, von grünem Rasen.

 

 

 

Onde soam as belas trompetas

 

Quem está lá fora a bater à porta,

Acordando-me tão suavemente?

É o amado do teu coração,

Levanta-te e deixa-me entrar!

 

Para que me fazes esperar mais?

Vejo a alvorada romper,

A alvorada, duas estrelas claras.

Gostaria tanto de estar junto da minha amada!

A amada do meu coração.

 

A rapariga levantou-se e deixou-o entrar;

Dando-lhe as boas vindas.

Sê bem-vindo, meu adorado,

Tiveste de esperar tanto tempo!

 

Estende-lhe também a mão branca de neve.

Ao longe cantava o rouxinol;

A rapariga começou a chorar.

 

Ah, não chores, minha querida,

Serás minha dentro de um ano.

Serás minha com toda a certeza,

Como nenhuma outra no mundo.

Oh, amor na terra verdejante!

 

Vou para a guerra, na charneca verde,

Na charneca verde que fica tão longe.

Onde quer que soem as belas trompetas,

Aí é a minha morada, coberta de relva.

 

(Tradução de Maria Fernanda Cidrais. Do programa do recital de 31-10-2006, na Fundação Calouste Gulbenkian. Barítono Matthias Goerne.)

       Lied des Verfolgten im Turm

 

Der Gefangene:
 
 Die Gedanken sind frei,
 Wer kann sie erraten?
 Sie rauschen vorbei
 Wie nächtliche Schatten.
 Kein Mensch kann sie wissen,
 Kein Jäger sie schießen;
 Es bleibet dabei,
 Die Gedanken sind frei.

Das Mädchen:
 Im Sommer ist gut lustig sein 
 Auf hohen wilden Heiden,
 Dort findet man grün Plätzelein,
 Mein herzverliebtes Schätzelein,
 Von dir mag ich nit scheiden. 

Der Gefangene:
 Und sperrt man mich ein
 Im finstern Kerker,
 Dies alles sind nur
 Vergebliche Werke;
 Denn meine Gedanken
 Zerreißen die Schranken
 Und Mauern entzwei,
 Die Gedanken sind frei.

Das Mädchen:
 Im Sommer ist gut lustig sein
 Auf hohen wilden Bergen;
 Man ist da ewig ganz allein,
 Man hört da gar kein Kindergeschrei,
 Die Luft mag einem da werden.

Der Gefangene:
 So sei es, wie es will,
 Und wenn es sich schicket,
 Nur alles in der Still;
 [Und was mich erquicket,]1
 Mein Wunsch und Begehren
 Niemand kann's [mir]2 wehren;
 Es bleibet dabei,
 Die Gedanken sind frei.

Das Mädchen:
 Mein Schatz, du singst so fröhlich hier
 Wie's Vögelein in dem Grase;
 Ich steh so traurig bei Kerkertür,
 Wär ich doch tot, wär ich bei dir,
 Ach, muß ich denn immer klagen?

Der Gefangene:
 Und weil du so klagst,
 Der Lieb ich entsage,
 Und ist es gewagt,
 So kann mich nicht plagen!
 So kann ich im Herzen
 Stets lachen, bald scherzen;
 Es bleibet dabei, 
 Die Gedanken sind frei.

 

        Canção do prisioneiro na torre

 

O prisioneiro

 

Os pensamentos são livres!

Quem os pode adivinhar?

Os pensamentos são livres!

Perpassam céleres

Como sombras na noite.

Ninguém os pode saber,

Nenhum caçador atingi-los;

A verdade é esta:

Os pensamentos são livres!

 

A donzela:

No Verão é born estar alegre

No alto dos montes bravios.

Encontram-se ali pequenos lugares verdes,

Meu setouro adorado,

Não quero separar-me nunca de ti.


O prisioneiro:

E se me encerram

Num calabouço sombrio,

É apenas em vão

Que o tentam fazer;

Pois os meus pensamentos

Destroem as barreiras

E os muros,

Os pensamentos são livres!

 

A donzela:

No Verão é bom estar alegre

No alto dos montes bravios.

Reina ali a eterna solidào.

Nào se ouvem os gritos das crianças.

o ar transforma-nos.

 

O prisioneiro:

Que assirn seja!

E se o destino o decidir.

Que fique tudo tranquilo e em silêncio:

o meu desejo e arnbição

Ninguém os pode travar

A verdade é esta:

Os pensamentos são livres!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DAS KLAGENDE LIED
Text by Gustav Mahler 
Music by Gustav Mahler
 

1. Waldmärchen

 
 Es war eine stolze Königin,
 gar lieblich ohne Maßen;
 kein Ritter stand noch ihrem Sinn,
 sie wollt' sie alle hassen.
 O weh, du wonnigliches Weib!
 Wem blühet wohl dein süßer Leib!
 
 Im Wald eine rote Blume stand,
 ach, so schön wie die Königin,
 Welch Rittersmann die Blume fand,
 der konnt' die Frau gewinnen!
 O weh, du stolze Königin!
 Wann bricht er wohl, dein stolzer Sinn?
 
 Zwei Brüder zogen zum Walde hin,
 sie wollten die Blume suchen:
 Der Eine hold und von mildem Sinn,
 der Andre konnte nur fluchen!
 O Ritter, schlimmer Ritter mein,
 O ließest du das Fluchen sein!
 
 Als sie so zogen eine Weil',
 da kamen sie zu scheiden:
 das war ein Suchen nur in Eil',
 im Wald und auf der Heiden.
 Ihr Ritter mein, im schnellen Lauf,
 wer findet wohl die Blume?
 
 Der Junge zieht durch Wald und Heid',
 er braucht nicht lang zu gehn:
 Bald sieht er von ferne bei der Weid'
 die rote Blume stehn.
 Die hat er auf den Hut gesteckt,
 und dann zur Ruh' sich hingestreckt.
 
 Der Andre zieht im wilden Hang,
 umsonst durchsucht er die Heide,
 und als der Abend herniedersank,
 da kommt er zur grünen Weide!
 O weh, wen er dort schlafend fand,
 die Blume am Hut, am grünen Band!
 
 Du wonnigliche Nachtigall,
 und Rotkehlchen hinter der Hecken,
 wollt ihr mit eurem süßen Schall
 den armen Ritter erwecken!
 Du rote Blume hinterm Hut,
 du blinkst und glänzest ja wie Blut!
 
 Ein Auge blickt in wilder Freud',
 des Schein hat nicht gelogen:
 ein Schwert von Stahl glänzt ihm zur Seit',
 das hat er nun gezogen.
 Der Alte lacht unterm Weidenbaum,
 der Junge lächelt wie im Traum.
 
 Ihr Blumen, was seid ihr vom Tau so schwer?
 Mir scheint, das sind gar Tränen!
 Ihr Winde, was weht ihr so traurig daher,
 was will euer Raunen und Wähnen?
  "Im Wald, auf der grünen Heide,
 da steht eine alte Weide."
 

 

 

 

 

           Lenda da Floresta

 

 

Era uma vez uma rainha orgulhosa,

De beleza incomparável;

Cavaleiro algum a cativava,

E todos desprezava.

Ah, noiva encantadora!

Para quem floresce, então, o teu doce corpo?

 

Na floresta estava uma flor vermelha,

Ah, tão bela que a própria rainha,

Ao cavaleiro que a encontrasse,

Concederia a sua mão de dama.

Oh, vaidosa rainha!

Quando será quebrado o teu orgulho?

 

Dois irmãos entraram na floresta,

Em busca da bela flor,

O primeiro era bom e gentil,

O outro não sabia senão praguejar.

Ah cavaleiro, meu perverso cavaleiro,

Renuncia à tua maldição!

 

Tendo caminhado algum tempo juntos,

Acabaram por se separar;

Procurando afanosamente

Na floresta e pelo prado.

Meus cavaleiros apressados,

Quem de vós encontrará a flor?

 

O mais novo percorreu a floresta e o prado,

E não tinha mais para onde ir,

De súbito ao longe, ao pé de um salgueiro

Avistou a flor vermelha.

Colocou-a no seu chapéu,

E deitou-se a repousar.

 

O outro percorreu a encosta selvagem,

Em vão procurou no campo,

E quando caiu o entardecer,

Dirigiu-se para o salgueiro verde.

Oh, quem encontrou ele adormecido

Com a flor no laço verde do chapéu!

 

Tu encantador rouxinol,

E tu, pisco entre os ramos,

Quererão com o vosso doce som

O pobre cavaleiro acordar.

E tu, flor vermelha no chapéu,

Tu reluzes e brilhas como sangue!

 

Um olho brilha de cruel satisfação,

A sua aparência não mente;

No seu flanco brilha uma espada de aço,

Que agora ele retira!

O mais velho ri-se debaixo do salgueiro,

O mais novo sorri como num sonho.

 

Flores, porque vos pesa tanto o orvalho?

Parece-me que são lágrimas!

Ventos, que soprais com tanta tristeza,

O que significam os vossos murmúrios?

«Na floresta, no prado verde,

ergue-se um velho salgueiro.»

 

2. Der Spielmann

 
 Beim Weidenbaum, im kühlen Tann,
 da flattern die Dohlen und Raben,
 da liegt ein blonder Rittersmann
 unter Blättern und Blüten begraben.
 Dort ist's so lind und voll von Duft,
 als ging ein Weinen durch die Luft!
 O Leide, weh! O Leide!
 
 Ein Spielmann zog einst des Weges daher,
 da sah er ein Knöchlein blitzen;
 er hob es auf, als wär's ein Rohr,
 wollt' sich eine Flöte draus schnitzen.
 O Spielmann, lieber Spielmann mein,
 das wird ein seltsam Spielen sein!
 O Leide, weh! O Leide!
 
 Der Spielmann setzt die Flöte an
 und läßt sie laut erklingen:
 O Wunder, was nun da begann,
 welch seltsam traurig Singen!
 Es klingt so traurig und doch so schön,
 wer's hört, der möcht' vor Leid vergehn!
 O Leide, Leide!
 
 "Ach, Spielmann, lieber Spielmann mein!
 Das muß ich dir nun klagen:
 Um ein schönfarbig Blümelein
 hat mich mein Bruder erschlagen!
 Im Walde bleicht mein junger Leib,
 mein Bruder freit ein wonnig Weib!"
 O Leide, Leide, weh!
 
 Der Spielmann ziehet in die Weit',
 läßt' überall erklingen,
 Ach weh, ach weh, ihr lieben Leut',
 was soll denn euch mein Singen?
 Hinauf muß ich zu des Königs Saal,
 hinauf zu des Königs holdem Gemahl!
 O Leide, weh, o Leide!
 

            O Menestrel

 

Perto do salgueiro, na fria floresta,

Onde esvoaçavam as gralhas e os corvos,

Jaz um cavaleiro louro

Sob folhas e flores sepultado.

Ali tudo é temperado e fragrante,

Como se o choro enchesse o ar!

Oh, tristeza!

 

Um menestrel vagueava por ali certa vez,

E viu um pequeno osso a luzir;

Pegou nele como se fosse um tubo,

E quis fazer dele uma flauta.

Ó menestrel, meu querido menestrel,

Será bem estranha a melodia que irás tocar!

Oh, tristeza!

 

O menestrel levou a flauta aos lábios,

Fazendo-a soar com força e clareza.

Que prodígio se manifestou então,

Que estranho e triste canto!

Soou tão triste e no entanto tão belo,

Que quem o escutasse morreria de dor!

Oh, tristeza!

 

«Ah menestrel, meu querido menestrel,

Agora quero lamentar-me:

por causa de uma bonita flor

O meu irmão matou-me!

Na floresta empalidece o meu corpo jovem,

e o meu irmão corteja uma bela noiva!»

Oh, tristeza! Ah!

 

O menestrel percorreu o mundo

E por todo o lado o fez ressoar.

Ah, queridas gentes,

O que pensam do meu cântico?

Tenho que subir à Sala do Rei,

Onde está a sua bela noiva!

Oh, tristeza!

 

3. Hochzeitsstück

 
 Vom hohen Felsen erglänzt das Schloß,
 die Zinken erschalln und Drometten,
 Dort sitzt der mutigen Ritter Troß,
 die Frauen mit goldenen Ketten.
 Was will wohl der jubelnde, fröhliche Schall?
 Was leuchtet und glänzt im Königssaal?
 O Freude, heiah! Freude!
 Und weißt du's nicht, warum die Freud'?
 
 Hei! Daß ich dir's sagen kann!
 Die Königin hält Hochzeit heut'
 mit dem jungen Rittersmann!
 Seht hin, die stolze Königin!
 Heut' bricht er doch, ihr stolzer Sinn!
 O Freude, heiah! Freude!
 
 Was ist der König so stumm und bleich?
 Hört nicht des Jubels Töne!
 Sieht nicht die Gäste stolz und reich,
 sieht nicht der Königin holde Schöne!
 
 Was ist der König so bleich und stumm?
 Was geht ihm wohl im Kopf herum?
 Ein Spielmann tritt zur Türe herein!
 Was mag's wohl mit dem Spielmann sein?
 O Leide, weh! O Leide!
 
 "Ach Spielmann, lieber Spielmann mein,
 das muß ich dir nun klagen:
 Um ein schönfarbig Blümelein
 hat mich mein Bruder erschlagen!
 Im Walde bleicht mein junger Leib,
 mein Bruder freit ein wonnig Weib!"
 O Leide, Leide, weh!
 
 Auf springt der König von seinem Thron
 und blickt auf die Hochzeitsrund'.
 Und er nimmt die Flöte in frevelndem Hohn
 und setzt sie selbst an den Mund!
 O Schrecken, was nun da erklang!
 Hört ihr die Märe, todesbang?
 
 "Ach Bruder, lieber Bruder mein,
 du hast mich ja erschlagen!
 Nun bläst du auf meinem Totenbein,
 des muß ich ewig klagen!
 Was hast du mein junges Leben
 dem Tode hingegeben?"
 O Leide, weh! O Leide!
 
 Am Boden liegt die Königin,
 die Pauken verstummen und Zinken.
 Mit Schrecken die Ritter und Frauen fliehn,
 die alten Mauern sinken!
 Die Lichter verloschen im Königssaal!
 Was ist wohl mit dem Hochzeitsmahl?
 Ach Leide!
 
 
 

 

                Peça Nupcial

 

Do alto dos rochedos brilha o castelo,

Ressoam as trompetes e os tambores;

Ali se sentam os valentes cavaleiros,

E as damas com cordões de ouro.

Que significa esta jubilosa e alegre ressonância?

Este brilho resplandecente na Sala do Rei?

Oh, alegria!

 

E tu não sabes o porquê desta alegria?

Então, eu posso dizer-te:

A rainha casa-se hoje

Com o jovem cavaleiro.

Olha para ali, a rainha orgulhosa!

O seu orgulho será hoje quebrado!

Oh, alegria!

 

Porque está o rei tão silencioso e pálido?

Ele não ouve os sons de júbilo,

Não vê os convidados, impantes e ricos,

Nem a graciosa beleza da rainha!

Porque está o rei tão pálido e silencioso?

Que se passa na sua cabeça?

Um menestrel entra pela porta!

O que quererá este menestrel?

Oh, tristeza!

 

«Ah menestrel, meu querido menestrel,

Agora quero lamentar-me:

por causa de uma bonita flor

o meu irmão matou-me!

Na floresta empalidece o meu corpo jovem,

e o meu irmão corteja uma bela noiva!»

Oh, sofrimento!

 

O rei desce subitamente do seu trono

E contempla a festa nupcial;

E pega na flauta com desdém

E leva-a à sua boca.

Ó horror, como soa agora!

Escutai a lenda da horrenda morte!

 

«Ah irmão, meu querido irmão,

foste tu que me mataste!

Agora sopras no meu osso morto,

lamentar-me-ei eternamente.

Porque entregaste à morte

a minha jovem vida?»

Oh, tristeza!

 

A rainha jaz agora por terra,

Os tambores e os trompetes silenciaram-se;

Os cavaleiros e as damas fogem aterrorizados,

Os velhos muros afundam-se.

As luzes apagam-se na Sala do Rei!

Que sobrou agora da festa nupcial?

Ah, tristeza!

 

 

 

 

Tradução de Ofélia Ribeiro. (Do programa da Fundação Calouste Gulbenkian no concerto de 15 e 16 de Fevereiro de 2007. Orquestra dirigida por Michael Zilm.

 

GUSTAV MAHLER

7-7-1860 -  18-5-1911

 

Orquestração:

Luaciano Berio

24-10-1925 – 26-5-2003

 

 

Fünf frühe Lieder, para barítono e orquestra, compostos de 1892 a 1896

Estreia: 20 de Junho de 1986

 

Por volta de 1985, o musicólogo e biógrafo de Mahler, Henry-Louis de la Grange, pediu ao compositor Luciano Berio, que orquestrasse alguns dos primeiros Lieder compostos por Mahler, de que ele apenas tinha deixado a música para voz e piano. Luciano Berio orquestrou quatro Lieder e fez ainda nova orquestração para a canção Ablösung im Sommer, que Mahler havia inserido no 3.º andamento da 3.ª Sinfonia. Estas cinco canções são agora conhecidas como “Fünf frühe Lieder”.

 

 

Ablösung im Sommer

Des Knaben Wunderhorn

 

Kukuk hat sich zu Tode gefallen,

Tode gefallen an einer grünen Weiden!

Kukuk ist Tod! Kukuk ist Tod!

Hat sich zu Tod’ gefallen!

 

Wer soll uns denn den Sommer lang

Die Zeit und Weil’ vertreiben?

Kukuk! Kukuk!

Wer soll uns denn den Sommer lang

Die Zeit und Weil’ vertreiben?

 

Ei! Das soll tun Frau Nachtigall!

Die sitzt auf grünem Zweige!

Die kleine, feine Nachtigall,

Die liebe, süße Nachtigall!

Sie singt und springt, ist all’ zeit froh,

Wenn andre Vögel schweigen!

 

Wir warten auf Frau Nachtigall,

Die wohnt im grünen Hage,

Und wenn der Kukuk zu Ende ist,

Dann fängt sie an zu schlagen!

 

 

 

Zu Strassburg auf der Schanz

Des Knaben Wunderhorn

 

 

Zu Strassburg auf der Schanz’,

Da ging mein Trauern an!

Das Alphorn hört’ ich drüben wohl anstimmen,

In’s Vaterland musst’ ich hinüber schwimmen,

Das ging ja nicht an!

 

Ein’ Stund’ in der Nacht

Sie haben mich gebracht;

Sie führten mich gleich vor des Hauptmann’s Haus!

Ach Gott! Sie fischten mich im Stromme aus!

Mit mir ist es aus!

 

Früh morgens um zehn Uhr

Stellt man mich vor’s Regiment!

Ich soll da bitten um Pardon, um Pardon!

Und ich bekomm’ doch meinen Lohn!

Das weiß ich schon!

 

Ihr Brüder all’ zumal,

Heut’ seht ihr mich zum letzten mal!

Der Hirtenbub’ ist nur schuld daran!

Das Alphorn hat mir’s angethan!

Das klag’ ich an.

 

 

 

Nicht wiedersehen!

Des Knaben Wunderhorn

 

 

Und nun ade, mein herzallerliebster Schatz!

Jetzt muß ich wohl scheiden von dir, von dir,

Bis auf den andern Sommer,

Dann komm ich wieder zu dir.

Ade! Ade, mein herzallerliebster Schatz!

 

Und als der junge Knab’ heimkam,

Von seiner Liebsten fing er an:

„Wo ist meine Herzallerliebste,

Die ich verlassen hab?“

 

„Auf dem Kirchhof liegt sie begraben,

Heut’ ist’s der dritte Tag.

Das Trauern und das Weinen

Hat sie zum Tod gebracht!“

Ade! Ade, mein herzallerliebster Schatz!

 

Jetzt will ich auf den Kirchhof geh’n,

Will suchen meiner Liebsten Grab,

Will ihr all’weile rufen, ja rufen,

Bis daß sie mir Antwort gab!

 

Ei du, mein allerherzliebster Schatz,

Mach’ auf dein tiefes Grab!

Du hörst kein Glöcklein läuten,

Du hörst kein Vöglein pfeifen,

Du siehst weder Sonne noch Mond!

Ade, ade, mein herzallerliebster Schatz!

 

 

 

Um schlimme Kinder artig zu machen

Des Knaben Wunderhorn

 

Es kam ein Herr zum Schlösseli

Auf einem schönen Röss'li,

Ku-ku-c, ku-ku-c!

Da lugt die Frau zum Fenster aus

Und sagt: "Der Mann ist nicht zu Haus,

Und niemand heim als meine Kind',

Und's Mädchen ist auf der Wäschewind!"

 

Der Herr auf seinem Rösseli

Sagt zu der Frau im Schlösseli:

Ku-ku-k, ku-ku-k!

"Sind's gute Kind', sind's böse Kind'?

Ach, liebe Frau, ach sagt geschwind,"

Ku-ku-k, ku-ku-k!

 

"In meiner Tasch' für folgsam Kind',

Da hab' ich manche Angebind,"

Ku-ku-k, ku-ku-k!

Die Frau die sagt: "Sehr böse Kind'!

Sie folgen Mutter nicht geschwind,

Sind böse, sind böse!"

Die Frau die sagt: "Sehr böse Kind'!

Sie folgen Mutter nicht geschwind.“

 

 Da sagt der Herr: "So reit' ich heim,

Dergleichen Kinder brauch' ich kein'!"

Ku-ku-k, ku-ku-k!

Und reit' auf seinem Rösseli

Weit, weit entweg vom Schlösseli!

Ku-ku-k, ku-ku-k!

  

 

Erinnerung

(Richard Leander)

 

Es wecket meine Liebe die Lieder immer wieder!

Es wecken meine Lieder die Liebe immer wieder!

Die Lippen, die da träumen von deinen heissen Küssen,

In Sang und Liedesweisen von dir sie tönen müssen!

 

Und wollen die Gedanken der Liebe sich entschlagen,

So kommen meine Lieder zu mir mit Liebesklagen!

So halten mich in Banden die Beiden immer wieder!

Es weckt das Lied die Liebe! Die Liebe weckt die Lieder!

 

 

Frühlingsmorgen

 

Es klopft an das Fenster der Lindenbaum.
Mit Zweigen blütenbehangen:
Steh' auf! Steh' auf!
Was liegst du im Traum?
Die Sonn' ist aufgegangen!
Steh' auf! Steh' auf!

Die Lerche ist wach, die Büsche weh'n!
Die Bienen summen und Käfer!
Steh' auf! Steh' auf!
Und dein munteres Lieb' hab ich auch schon geseh'n.
Steh' auf, Langschläfer!
Langschläfer, steh' auf!
Steh' auf! Steh' auf!

 

 

Hans und Grete

 

Ringel, ringel Reih'n!
Wer fröhlich ist, der schlinge sich ein!
Wer sorgen hat, der lass' sie daheim!
Wer ein liebes Liebchen küßt,
Wie glücklich der ist!
Ei, Hänsel, du hast ja kein's!
So suche dir ein's!
Ein schönes Liebchen, das ist was Fein's. Juchhe!

Ringel, ringel Reih'n!
Ei, Gretel, was stehst denn so allein?
Guckst doch hinüber zum Hänselein!?
Und ist doch der Mai so grün?
Und die Lüftelein zieh'n!
Ei, seht doch den dummen Hans!
Wie er rennet zum Tanz!
Er suchte eine Liebchen, Juchhe!
Er fand's! Juchhe!
Ringel, ringel Reih'n!

 

Ich ging mit Lust durch einen grünen Wald,

 

Ich ging mit Lust durch einen grünen Wald,
Ich hört' die Vöglein singen;
Sie sangen so jung, sie sangen so alt,
Die kleinen Waldvögelein im grünen Wald!
Wie gern hört' ich sie singen!

Nun sing, nun sing, Frau Nachtigall!
Sing du's bei meinem Feinsliebchen:
Komm schier, wenn's finster ist,
Wenn niemand auf der Gasse ist,
Dann komm zu mir!
Herein will ich dich lassen!

Der Tag verging, die Nacht brach an,
Er kam zu Feinsliebchen gegangen.
Er klopft so leis' wohl an den Ring:
"Ei schläfst du oder wachst mein Kind?
Ich hab so lang gestanden!"


[Es schaut der Mond durchs Fensterlein
zum holden, süßen Lieben,
Die Nachtigall sang die ganze Nacht.
Du schlafselig Mägdelein, nimm dich in Acht!
Wo ist dein Herzliebster geblieben?]

 

Scheiden und Meiden

Des Knaben Wunderhorn

 

Es ritten drei Reiter zum Tor hinaus,
Ade!
Feins Liebchen schaute zum Fenster hinaus,
Ade!
Und wenn es denn soll geschieden sein,
So reich mir dein goldenes Ringelein.
Ade! Ade! Ade!
Ja scheiden und meiden tut weh.

Es scheidet das Kind wohl in der Wieg,
Ade!
Wenn werd ich mein Schätzel wohl kriegen?
Ade!
Und ist es nicht morgen, ach, wär es doch heut,
Es macht uns allbeiden gar große Freud,
Ade! Ade! Ade!
Ja scheiden und meiden tut weh.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

Substituição estival

A Trompa Maravilhosa do Rapaz

 

O Cuco encontrou a morte.

A morte num verde prado.

O cuco morreu! O cuco morreu!

O cuco encontrou a morte!

 

E durante todo o Verão

Quem nos trará diversão?

Cu-cu! Cu-cu!

E durante todo o Verão

Quem nos trará diversão?

 

Que seja o senhor rouxinol

No verde galho repousando

Pequeno e frágil rouxinol

Amável e doce rouxinol

Canta e saltita, está sempre contente

E as outras aves mudas vão ficando!

 

Cá o esperamos senhor rouxinol

Que mora lá para o verde silvado

O cuco já não dá para mais?

É então ele que lança o trinado!

 

 

Em Estrasburgo, na trincheira

A Trompa Maravilhosa do Rapaz

 

 

Em Estrasburgo, na trincheira,

Começou meu desconforto:

O corno alpino, bem o ouvi no outro lado.

Chegar à pátria, só atravessando a nado.

Mas a coisa deu para o torto.

 

Lá em meados da noite

Eis-me por eles trazido:

E à casa do capitão logo me foram levar!

Que à corrente, Deus meu, me haviam ido pescar!

Foi o fim do meu penar.

 

De manhãzinha, pelas dez horas

Trouxeram-me ao regimento;

Para pedir perdão,

de paga é o momento,

Isso é do meu conhecimento.

 

Pela última vez, camaradas,

Me vedes nestas jornadas;

Só o pastorinho é culpado,

O corno alpino me pôs neste estado.

É esse o meu agravo .

 

Adeus para sempre!

A Trompa Maravilhosa do Rapaz

 

 

E agora adeus, meu tesouro adorado!

Agora tenho mesmo de me separar de ti.

Até ao próximo Verão.

Depois volto para junto de ti.

Adeus! Adeus, meu tesouro adorado!

 

E quando o jovem regressou,

Perguntou pela sua amada:

« Onde está a minha querida.

Que eu aqui deixei?»

 

« Está enterrada no cemitério.

Faz hoje três dias.

A dor e as lágrimas

Levaram-na à morte! »

Adeus! Adeus, meu tesouro adorado!

 

Agora irei ao cemitério.

Quero procurar a sepultura da minha amada.

Quero chamar por ela,

Até ela me responder!

 

Ai, meu tesouro adorado.

Abre a tua funda sepultura,

Não ouves os sinos tocar.

Não ouves os pássaros chilrear.

Não vês nem o Sol nem a Lua!

Adeus! Adeus, meu tesouro adorado!

 

 

 

Para fazer boas as crianças malvadas

A Trompa Maravilhosa do Rapaz

.

Veio um senhor até ao castelo

Montado num belo cavalinho.

Cu-cu, cu-cu!

Então a senhora espreitou pela janela

E disse: O meu marido não está em casa,

nem ninguém além dos meus filhos,

e da rapariga que está a tratar da roupa!

 

O senhor montado no cavalinho

Disse á senhora no castelo:

Cu-cu, cu-cu!

«As crianças são boas ou são malvadas?

Minha querida senhora, diga-me depressa.”

Cu-cu, cu-cu!

 

“Tenho muitas prendas no meu bolso,

para as crianças obedientes”.

Cu’cu, cu-cu!

A senhora disse: «Crianças muito malvadas!

Não obedecem à mãe com prontidão,

são malvadas, são malvadas!’

A senhora disse: «São crianças malvadas!

Não obedecem à mãe com prontidão!”

 

O senhor disse então: “Vou para casa,

não quero nada com crianças assim!”

Cu-cu, cu-cu!

E afastou-se no seu cavalinho

Para bem longe do castelo!

Cucu, cucu!

 

 

 

Recordação

 Richard Leander

 

Sempre de novo amor meu melodias despertando!

Melodias amor meu sempre de novo acordando!

Aos lábios que sonham com teu beijar ardente

De teus cantos e requebros se faz a voz premente!

 

E se do amor a mente se procura libertar,

Volvem minhas melodias e do amor o pesar!

E assim sempre de novo os dois montam vigia!

A melodia acorda o amor! O amor acorda melodias!

 

 

Manhã de Primavera


Batem à janela da tília
com ramos enfeitados de flores:
Toca a levantar! Toca a levantar!
E sonho ou é vigília?
O sol já mostra os seus alvores!
Toca a levantar! Toca a levantar!

 

A cotovia acordou, ondulam os arbustos!
Zumbe a abelha e o besouro!
Toca a levantar! Toca a levantar!
E já vi o teu amado sair do repouso!
De pé, dorminhoco!
Dorminhoco! De pé!
Toca a levantar! Toca a levantar!

 

Hans e Grete

 


Vai de roda vai de roda!
Que se junte quem estiver bem disposto!
Quem preocupações tiver, que as deixe em casa!
Quem um amor querido beijar.
Que feliz então será!
Oh pequeno Hans, que ninguém tens!
Vai então alguém procurar!
Uma bela amada, que bom isso é!
Hurra Hurra!


Vai de roda vai de roda!
Então pequena Gretel. porque estás tão sozinha?
Estás olhar para lá, para o jovem Hans?
E o \Iaio não está tão verde?
Os ares flutuam!
Oh, vejam o pateta do Hans
Como corre para ir dançar!
Andava à procura de um amor, Hurra!
Encontrou! Hurra! Hurra! Vai de roda vai de roda!

 

Caminhava satisfeito por uma floresta verde
 

Caminhava satisfeito por uma floresta verde,
Escutando os passarinhos a cantar;
Cantavam melodias tão novas e tão antigas.
Os pequenos passarinhos na floresta verde!
Como eu gostava de os ouvir cantar!


Canta. canta, rouxinol!
Canta para minha bem-amada:
Vem quando estiver escuro,
Quando não estiver ninguém na rua,
Vem então ter comigo!
Eu deixar-te-ei entrar:


O dia passou a noite veio
Ele foi ao encontro da bem-amada.
Bateu com a argola muito baixinho:
«Estás a dormir ou acordada. meu amor?
Estou à espera há tanto tempo!
»


A lua brilha através da janela
Sobre um belo e doce amor.
O rouxinol canta toda a noite.
Oh rapariga adormecida, toma cuidado!
Onde ficou o teu bem-amado?

 

 

 

 

Despedida


Três cavaleiros cavalgam através do portão!
Adeus! Adeus!
A amada debruça-se na janela!
Adeus! Adeus! Adeus!
E se temos realmente de separar-nos,
dá-me entào o teu pequeno anel de oiro!
Adeus! Adeus!
Sim, as despedidas doem, doem muito!
Adeus! Adeus! Adeus!

 

Acriança despede-se já no berço
Adeus!
Quando voltarei a receber o m eu amor?
Adeus! Adeus!
E se não for amanhã, ah, que seja então hoje!
Tornar-nos-ia ambos felizes!
Adeus! Adeus! Adeus!
Sim, as despedidas doem, doem muito!
Adeus!

 

 

 

 

TRADUÇÕES DE:

MARIA ANTÓNIA AMARANTE ( Frühlingsmorgen, Ablösung in Sommer; Zu Strasbourg auf der Schanz; Erinnerung)

MARIA FERNANDA CIDRAIS (Nicht wiedersehen!, Ich ging mit Lust, Um Schlimme Kinder artig zu machen, Scheiden und Meiden)

GERLINDE MESCHENMOSER, (Hans und Grete)

 

(Dos programas da Gulbenkian, de 5 de Novembro de 2010 e 24 de Janeiro de 2011)

 

24-1-2011 - Na Gulbenkian, um belíssimo recital do Barítono Dinamarquês Bo Skovhus (n. 1962) que, em 1 hora e 40 m., interpretou magistralmente, acompanhado pela Maestrina Simone Young servindo de pianista:

Lieder: Frühlingsmorgen, Nicht wiedersehen, Hans und Grete, Ich ging mit Lust, Zu Straßburg auf der Schanz, Erinnerung, Ablösung im Sommer, Um schlimme Kinder artig zu machen, Scheiden und Meiden.

Rückert - Lieder: Ich atmet' einen linden Duft, Liebst du um Schönheit, Blicke mir nicht in die Lieder, Ich bin der Welt abhanden gekommen, Um Mitternacht

de Das Lied von der Herde: Der Abschied.

 

 

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